É hoje, e é o dia no qual os italianos podem se lembrar de um dos maiores marcos da sua história recente. Após viver alternadamente a desgraça e a glória em guerras sangrentas de unificação, 23 anos de uma ditadura fascista inicialmente apoiada por um soberano desastrado e, finalmente, exatos 61 anos atrás, o referendo institucional que determinou a queda definitiva da monarquia, sob a Casa de Savoia, em favor da forma de governo republicana.

Não foi simples, com um país virado de pernas para o ar, envolvido nos dois lados de uma Guerra Mundial, e um processo eleitoral bastante conturbado e questionável. Entretanto, hoje acredito que a decisão tomada pela ínfima margem de cerca de 2 milhões de votos foi a correta, ou tão correta quanto possível, especialmente tendo em vista os inumeráveis escândalos em que Vittorio Emanuele, filho do Rei Umberto II, e toda a sua família se envolvem regularmente…

E viva la Repubblica Italiana!

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Fratelli d’Italia,
L’Italia s’è desta;
Dell’elmo di Scipio
S’è cinta la testa.
Dov’è la Vittoria?
Le porga la chioma;
Ché schiava di Roma
Iddio la creò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Noi siamo da secoli
Calpesti, derisi,
Perché non siam popolo,
Perché siam divisi.
Raccolgaci un’unica
Bandiera, una speme;
Di fonderci insieme
Già l’ora suonò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Uniamoci, amiamoci;
L’unione e l’amore
Rivelano ai popoli
Le vie del Signore.
Giuriamo far libero
Il suolo natio:
Uniti, per Dio,
Chi vincer ci può?

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Dall’Alpe a Sicilia,
Dovunque è Legnano;
Ogn’uom di Ferruccio
Ha il core e la mano;
I bimbi d’Italia
Si chiaman Balilla;
Il suon d’ogni squilla
I Vespri suonò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

Son giunchi che piegano
Le spade vendute;
Già l’Aquila d’Austria
Le penne ha perdute.
Il sangue d’Italia
E il sangue Polacco
Bevé col Cosacco,
Ma il cor le bruciò.

Stringiamci a coorte!
Siam pronti alla morte;
Italia chiamò.

(versão original de Il canto degli Italiani, escrito por Goffredo Mameli e musicado por Michele Novaro em 1847, o que explica as divergências em relação à norma atual da língua italiana e ao próprio hino nacional)

De uma maneira bastante simplista, o estopim da Revolução Francesa que marcou a derrocada do Antigo Regime na França de Luís XVI foi a tentativa de aumentar os tributos que uma população já sufocada tinha de pagar para sustentar um Estado que, no mínimo, administrava mal os seus gastos.

Muito sangue e cabeças depois, será que cabe um paralelo com o Brasil do século XXI? Para mim, já temos tudo. Só faltam os franceses…

“Se non avessi più te,
meglio morire,
perché questo silenzio
che nasce intorno a me se manchi tu
mi fa sentire
solo come un fiume che va verso la fine,
questo devi sapere.

“Da queste mie parole
puoi capire quanto ti amo.
Ti amo per sempre
come nessuno al mondo ha amato mai,
ed io lo so che non mi lascerai,
no, non puoi…

“Io posso darti, lo sai, solo l’amore,
posso amarti per sempre.

“Ma come il fiume che va
io troverei la fine se non avessi più te.”

Em uma tradução livre (embora eu odeie a expressão “tradução livre”, da qual muito se abusa para justificar traduções sem nexo) para os leitores deste blog que não entendem italiano (a maioria, eu imagino):

Se não te tivesse mais,
melhor morrer,
porque este silêncio
que nasce em volta de mim na tua ausência
faz com que eu me sinta
sozinho como um rio que caminha rumo ao fim,
isso tens de saber.

Por estas minhas palavras
podes compreender quanto te amo.
Amo-te para sempre
como ninguém no mundo jamais amou,
e eu sei que não me abandonarás,
não, não podes…

Eu posso dar-lhe, sabes, apenas o amor,
posso amar-te para sempre.

Mas, como o rio que caminha,
eu encontraria o fim se não te tivesse mais.

A segunda pessoa foi empregada na tradução em vista da necessidade da marca da pessoa nos verbos, usada com muita freqüência em italiano, para transmitir adequadamente o sentido sem deturpar em excesso a forma. E ainda acho que em italiano fica muito mais bonito.

O que isso parece? Um quartel-general onde se planeja uma incursão militar em território brasileiro?

Planejamento de Incursão Militar

É só o material de que um aluno do Ensino Médio precisa para estudar para uma prova de Geografia. Divertidíssimo.

Catedral, Muro, Portão de Brandemburgo, Reichstag… Galerias, museus, monumentos e palácios sem fim. Bicicletas acompanhadas de ciclovias trafegáveis e um povo de mau humor em virtude do rigoroso inverno. Não tenho como agradecer ao Governo Federal da Alemanha por pagar por esta extravagância, desde as passagens de avião até as refeições, nem aos torcedores da seleção de lá na Copa do Mundo, que construíram a primorosa oração que dá título a este post. Posso apenas bradar, agora que tenho os papéis em mãos, assinados e autenticados, que

EU VOU PARA BERLIM!

Prometo as fotos mais lindas já tiradas da capital alemã quando voltar :D

Não por acaso, chegou a meu conhecimento que não se consegue passar uma noite para dormir no hotel Hilton perto do Arco do Triunfo, em Paris, pagando menos que 400 euros.

Ok, acho que já foi suficiente. Se você se pergunta por que isso veio parar aqui, mesmo na seção “Inutilidades”, a resposta é simples: o post contém as palavras-chave mais procuradas em indexadores de blogs na última semana. :)

O que não se faz por audiência nos dias de hoje…

Eu adorava o Galak. Não o chocolate ou o ovo de páscoa: o que vinha em potinhos, quase como Danoninho. Imagino que não tenha sido um grande sucesso de público, já que, ainda que ele estivesse no mercado desde que eu me entendo por gente, já faz mais de uma década que a Nestlé descontinuou a sua produção, pelo menos no Brasil.

Eu também adorava o Bliss de maracujá. Pelo visto, era só eu, afinal, mais uma vez, a Nestlé desistiu de distribui-lo pouco depois de eu me dar conta de que ele era a minha segunda bebida preferida, só atrás de água pura.

Sejam os analistas de marketing das grandes corporações de uma incompetência tão grande quanto o seu orçamento, ou tenha eu gostos incomuns ou simplesmente incompreendidos, isso acaba de acontecer de novo, e eu sei que, desta vez, vai fazer muito mais falta que o Galak ou o Bliss de maracujá.

Em um dos indescritivelmente raros momentos em que a escola me proporcionou incorporação de conhecimento útil depois das fórmulas de área de círculo e perímetro de circunferência, minha professora de Laboratório de Inglês mencionou, durante a apresentação do curso, que ela era fã de algumas séries de TV - entre elas, Justice, de Jerry Bruckheimer.

Pareceu-me interessante, então me informei a respeito dos horários e, em uma quarta-feira, às 21h, eu assisti, pela primeira vez, a um episódio da série. A escolha do dia não poderia ter sido uma coincidência mais feliz, porque a Warner acabara de começar a reprisar a primeira temporada, o que me deu a oportunidade de conhecer Ron Trott, Tom Nicholson, Alden Tuller, Luther Graves, Miranda Lee, Betsy Harrison, Dr. Matthew Shaw e todo o elenco de apoio em detalhes, com todas as características ortogonais que os tornam fascinantes e complementares, na rotina do escritório de advocacia criminal TNT&G desde o início. Mesmo sempre tendo detestado televisão, particularmente seriados, semana após semana, eu aprendi, me diverti e me emocionei, ou, para ser mais claro, me apaixonei perdidamente por essa obra-prima.

E então eu descobri que a FOX havia encerrado a atração na primeira temporada, e que sequer deixara o décimo terceiro e último episódio ir ao ar nos Estados Unidos. Foi, sim, uma grande decepção, mas já faz algum tempo, então você pode estar se perguntando porque eu estaria escrevendo sobre isso apenas agora.

Eu acabei de assistir ao décimo segundo episódio, “Christmas Party”. E ainda não pude determinar se eu chorei porque ele foi tão maravilhoso quanto a imaginação humana poderia conceber, ou pelo sentimento de perda, ou por uma mistura de ambos. Eu só sei que foi bom, muito bom, e que eu sentirei falta. E que eu não poderia deixar de prestar homenagem a algo pelo qual, ainda que por pouco tempo, eu nutri tanto carinho. Que este vídeo, que uma boa alma editou e publicou no YouTube, imortalize o melhor presente que a televisão já recebeu, enterrado pelo mau gosto dos espectadores norte-americanos.

“Não coisas novas, mas tratadas de modo novo” - é tudo assim. Nunca tive a intenção de que este blog fosse de auto-ajuda, mas a constatação de uma versão ligeiramente estendida do conceito de Kant, de que as coisas existem para si e não em si, me pareceu digna de compartilhamento.

Em meio a frustração e desespero, não espere que o mundo e as pessoas mudem para se encaixar no seu ideal: tente tratá-los de outra maneira, de forma a tornar a sua existência um pouco menos sofrível. Acredite, funciona, e é o único jeito.

Acho que Schopenhauer também teria algo a dizer a respeito…

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