January 2007


Eu sei que eu estou pelo menos dois dias atrasado para comemorar comentar isto e compartilhar a alegria o fato com os leitores deste blog, mas eu não perderia esta oportunidade por nada.

A Polícia Federal indiciou, no dia 26, o senador Ney Suassuna, do PMDB-PB, e a deputada Celcita Pinheiro, do PFL-MT, que, juntos, completam o número de 16 indiciados por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias.

Dança no plenário da Câmara dos deputados

Talvez seja a nossa vez de dançar de alegria.

E a parte mais divertidaTambém bastante relevante é o fato de o excelentíssimo senador não ter sido reeleito e, portanto, perder o foro privilegiado em 31 de janeiro, daqui a dois dias. Terá de enfrentar a justiça dos meros mortais, também conhecida como de primeira instância.

É dia 14, são 4h30 da manhã e eu já estou acordado. Mais que isso, eu estou na porta de casa. Por quê? Simples: porque às 5h eu tenho de me apresentar no aeroporto de Guarulhos para um vôo com destino a Caldas Novas, Goiás, cujo embarque deveria ser efetuado às 6h. No entanto, é claro que essa era uma previsão otimista demais; afinal, estamos ou não estamos na gloriosa e soberana República das Bananas?

Depois de ter que tirar o cinto porque a equipe de segurança da Infraero parece sonolenta demais para querer fazer qualquer coisa que vá além de garantir que o detector de metais não apite, não há espaço para sentar nem no chão em frente ao portão 17. Também não há microfone, e o funcionário da companhia aérea, fracassando em tentar se fazer ouvir, grita que, devido a problemas no CINDACTA II, aeronaves estão atrasadas, e que, devido a isso, o meu vôo está previsto para as 9h30. Talvez seja válido informar o leitor, neste ponto, de que a aeronave decolou às 11h15. Mas para pousar onde?

“Senhores passageiros, o aeroporto internacional de Caldas Novas encontra-se fechado para pousos e decolagens devido às condições meteorológicas desfavoráveis, o que fez com que recebêssemos ordens para pousar em Goiânia.” é uma aproximação bastante razoável do prenúncio de catástrofe proferido pelo comandante. São 12h30, estamos em solo, mas nenhum dos passageiros imagina ainda que seremos mantidos dentro do avião até as 13h10, aguardando alguma força superior definir se iremos a Caldas Novas por via terrestre ou aérea. É claro que foi de ônibus.

Somos conduzidos a um almoço, pago pela companhia aérea, que mais parece merenda de escola pública, sem opção porque eles ainda não sabem o que fazer conosco. Retornamos ao aeroporto e, após bastante gritaria, começa o que sem dúvida foi a parte mais estressante dessa epopéia. Em resumo, invasão do setor de entrega de bagagens do aeroporto, ônibus que nunca chegam, ameaça (sim, por parte dos passageiros) de apedrejar o único microônibus enviado para fazer o transporte de mais de 150 passageiros, empurrões trocados pelo motorista do veículo e um passageiro e até a aparição da Polícia Militar. Tendo visto todos esses acontecimentos deprimentes com meus próprios olhos, mais uma vez peço vênia para discordar do slogan da campanha do Governo Federal que diz que “o melhor do Brasil é o brasileiro”. Enfim, mais ônibus chegam e nós podemos partir. São 16h40. Depois de atravessar um grande atoleiro, que o DNIT, em uma piada de péssimo gosto, chama de rodovia federal em obras de manutenção, chegamos ao hotel. Às 19h45.

Achou este relato longo e trágico? Que pena, porque isso foi só a primeira metade.

Já é dia 18, dia de tornar à cidade grande, à rotina desgastante e todo o resto com que os paulistanos estão mais que familiarizados. Chegamos ao aeroporto de Caldas Novas às 11h55. Apesar de ter uma única sala de embarque e uma área construída total com metragem quadrada inferior à do meu apartamento, um ambiente bastante simpático, simpatia essa que foi deveras útil na espera pelo embarque, a qual perdurou até as 13h30. Embarque realizado, não houve grandes atrasos, já que a nossa era a única aeronave em solo. Finalmente, estarei em casa em breve. Estarei mesmo?

Foi apenas depois de algum tempo sobrevoando São Paulo (e mais alguma outra cidade que não posso precisar em virtude da extensão colossal do litoral do nosso país) que fomos informados pelo piloto de que as pistas do aeroporto internacional de Congonhas haviam sido fechadas nas nossas caras e que, portanto, receberamos ordens para que nos dirigíssemos a Guarulhos. De forma nenhuma o melhor dos mundos, mas estar com os pés em terra firme a menos de 1000km de casa já seria um grande progresso. Ele esquecera de nos informar, no entanto, de que não poderíamos desembarcar lá! A partir deste ponto, não me julgo capaz de relatar fielmente a experiência de forma detalhada, sem que transpareça o ódio e o ponto-de-vista distorcido pela exaustão e pela frustração, então limito-me a um resumo. Gritaria, confusão, chega um ônibus da Infraero. O comandante informa que as bagagens prosseguirão de qualquer forma para Congonhas, e que a companhia aérea não se responsabilizará por eventuais extravios na esteira de bagagens daquele aeroporto. Resultado? Um passageiro desembarca. Mais gritaria, confusão em dobro, ameaças à integridade física da tripulação, chega um despachante da companhia aérea. Tudo parece resolvido, chegam três ônibus de transporte de passageiros da Infraero, contudo meia dúzia de passageiros criam empecilhos que não existem e ninguém desembarca.

Neste momento, em um ato heróico, o comandante, fora da cabine, solicita ao co-piloto que lhe entregue o seu celular, e realiza uma ligação para um contato na torre de controle do aeroporto de Congonhas. Suas sábias palavras merecem transcrição integral: “Como está a pista aí? Estou com uma situação de emergência e preciso pousar aí imediatamente.”. Como num passe de mágica, todos retomam seus assentos pela enésima vez, a aeronave realiza algumas manobras e, em menos de 10 minutos, os alto-falantes ressoam a frase marcante que deu o título deste post: “Tripulação, decolagem autorizada”. Os passageiros aplaudiram e gritaram, e só não o fizeram de pé porque os avisos de atar cintos encontravam-se acesos. Poucos instantes depois, havíamos aterrissado em nosso destino inicial e final, embora a voz misteriosa dentro do aeroporto ecoasse, em meio ao burburinho de muita irritação, informando que “ambas as pistas encontram-se fechadas devido às más condições metro… metoro… meorotoló… do tempo!”. Teria sido um final feliz se não fossem 18h12.

Enquanto isso, o excelentíssimo ministro de Estado da Defesa, Waldir Pires, reclama do próprio salário. Eu amo meu país.

UPDATE: respondendo a questionamentos, sim, a viagem de ida teria sido algumas horas mais rápida se tivesse sido realizada de ônibus.

Eu estou com um rascunho de um post sobre o iPhone, da Apple Inc., quase pronto desde ontem, e pretendia publicá-lo hoje. Tinha adiado a publicação por causa da cratera na Marginal Pinheiros e, agora que fui publicar, outra bomba explode na minha cara e eu atraso novamente o meu cronograma de assuntos, mas realmente acho este mais importante. Sim, o DOPS atacou novamente. Aliás, DOPS não, perdão: a ditadura militar já passou. O órgão que se auto-incumbiu da realização da censura agora foi o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Não sendo as conseqüências práticas visíveis até agora, os internautas ainda não tiveram oportunidade de se manifestar da mesma forma que o fizeram no caso do bloqueio do YouTube, mas espero eu que por simples falta de informação. Sinto-me, portanto, no dever de divulgar a situação de forma tão precisa quanto possível. Como pode ser visto no site do TJ-SP, o sr. Rubens Gonçalves Barrichello, com seus três advogados, deu entrada em uma medida cautelar requerendo a Google do Brasil Internet Ltda. por comunidades que o difamam no site de relacionamentos Orkut. Para não se queimar, imagino, ainda teve coragem de pedir que o processo tramitasse em segredo de justiça, o que felizmente não foi acatado.

Eu simplesmente não posso acreditar que o mesmo erro está sendo cometido mais uma vez. A Justiça Brasileira querer que uma filial brasileira de uma transnacional assuma responsabilidades para que haja garantias de obediência às nossas leis não é o problema: o problema é o autor do processo alegar, e o desembargador reconhecer, que o Google Brasil realmente hospeda o site. Ele tem relações com quem hospeda? Sim, mas não hospeda. E estabelecer uma multa diária de mil reais caso as comunidades e perfis falsos não sejam retirados do ar em 24 horas simplesmente torna tudo pior, já que o pedido está sendo endereçado à empresa errada. Mas esses são só detalhes procedimentais… deixemos que o Google se preocupe com eles, pois devemos ter temores piores.

Citando texto publicado por Sandra Carvalho, da INFO Online, em seu blog, “Uma internet totalmente gentil, só com opiniões a favor, é muito melhor do uma web caótica e democrática, onde cada um pode dizer o que pensa, evidentemente. Como não pensamos nisso antes?”. Se não tivermos liberdade para criticar publicamente um piloto de Fórmula 1 por seu desempenho trágico, sem que seja possível evitar a comparação com os nossos grandes nomes do passado, vamos ter liberdade para quê, exatamente?

Beijar os pés do presidente?

O teto do que algum dia viria a ser a estação Pinheiros do metrô paulistano cedeu, a estrutura da obra sustentada sobre ele desmoronou, dezenas de edifícios foram evacuados e até a Marginal Pinheiros corre perigo. De acordo com boletim oficial da Companhia do Metropolitano de São Paulo, o buraco mede aproximadamente 80m de comprimento e 30m de profundidade. A existência de vítimas ainda não foi confirmada - não se sabe se os funcionários que trabalhavam na obra conseguiram sair de lá a tempo. Uma imagem vale mais que mil palavras:

Desabamento/cratera em São Paulo
Fonte: UOL

UPDATE: esqueci de mencionar a parte mais divertida - os meteorologistas prevêem chuva forte para hoje em São Paulo. Não quero nem ver.

Eu sei que isso começa a fugir um pouco da concepção inicial de neutralidade deste blog, mas acho que o conceito blog provê embasamento para a minha violação deliberada das minhas próprias regras.

Primeiro, uma confissão: eu sou fã de The Corrs. Eu sou viciado em The Corrs. Não me sinto bem se passar um dia sequer sem ouvir algumas músicas delas, e elas provavelmente são a única banda cuja história eu conheço de ponta a ponta, incluindo alguns detalhes das vidas pessoais das integrantes. Acho que eu ainda não mencionei que eu sou um músico frustrado, que começou tocando violão aos 5 anos de idade e, depois de alguns instrumentos no meio do caminho, hoje é um produtor de barulho que usa como ferramenta um violino. Ou ainda que eu comecei a tocar violino graças a The Corrs.

Enfim, um amigo me apontou para o vídeo abaixo hoje à tarde, e eu simplesmente senti que precisava compartilhá-lo com pessoas. Se possível, muitas pessoas, e foi então que surgiu a idéia de usar este blog para isso.

Vamos, admita: elas não são adoráveis? :)

Obs.: Sim, o irmão é um incompetente e errou o último acorde.

Agora que o YouTube não corre mais risco de ser censur… err… bloqueado por ordem judicial visando à proteção da imagem de duas pessoas físicas contra a injúria e a difamação, e a tendência é Daniela Cicarelli voltar a desaparecer das manchetes, pelo menos na minha opinião e para minha felicidade, o Brasil já pode se concentrar em algo diferente. Não, não é com assistir ao vídeo da execução do santo ex-ditador do Iraque, Saddam Hussein, mas sim à reinvenção do telefone, como Steve Jobs gostaria de chamar “a coisa”.

A Apple conseguiu, apenas com o anúncio do seu novo produto, batizado de iPhone (ainda que a Cisco Systems já tenha dado início a um processo judicial para impedir o uso do nome), derrubar as ações dos maiores fabricantes de telefones celulares do mundo. Imagine quando o produto for às lojas efetivamente… O excepcional marketing da Apple atacou mais uma vez. Sinceramente, no entanto, se for tudo o que Jobs mostrou que ele será, demonstração que pode ser vista graças ao vídeo publicado na Macworld, eu vou ter que suspender as minhas críticas, porque eu vou ser o primeiro a querer um.

Acho que estou me empolgando mais do que eu imaginava que poderia me empolgar com este blog. Ontem, ele foi montado em um provedor de hospedagem gratuita de que eu havia ouvido falar, que convenientemente instalava WordPress - o software responsável por este blog -, o que me deu a oportunidade de finalmente testá-lo direito. E eu gostei.

As gambiarras múltiplas de que eu havia me utilizado para combinar este domínio registrado (pastore.eng.br), redirecionamentos de e-mail e hospedagem, tudo em provedores gratuitos diferentes, começaram a gerar problemas, inclusive impedir que comentários fossem registrados aqui. Resumo da ópera: US$ 17,95 mais pobre, agora eu sou um feliz usuário de um servidor virtual dedicado da RimuHosting, que é, desde algo em torno das 2 da manhã (sim, horário de Brasília), o novo berço deste diário recém-nascido. Me admira o fato de eles terem disponibilizado acesso à máquina virtual com as especificações que eu pedi, com o sistema operacional que eu pedi, à hora que eu pedi, não mais que quatro minutos depois do registro do pedido. Faz jus ao lema deles: “Support worth raving about”.

Os comentários foram perdidos, no entanto, já que o provedor gratuito fez a gentileza de me impedir de copiar o banco de dados MySQL e o WordPress só consegue importar posts por feed RSS, não comentários, pelo menos até onde eu vi.

Se você não entendeu nada disso, simplesmente desconsidere. Isso não quer dizer nada: apenas que você não é tão geek quanto eu, o que, dependendo de quem você for, pode ser algo bom.

Nesta época em que o PROCON bombardeia os potenciais consumidores com avisos sobre precauções a serem tomadas na compra do material didático, eu me deparo com uma situação que eu preferiria não ter enfrentado. Estou ciente de que os absurdos que se sucedem nesta época são inúmeros, mas considerando meu colégio minimamente respeitável, não imaginei que fosse acontecer comigo.

Pois aconteceu. Os estudantes sabem que não é de hoje a parceria entre o colégio e uma livraria das redondezas, com um preço, digamos, não muito amigável. Mas sempre havia parecido algo minimamente neutro, apesar de ela conseguir obter algumas informações privilegiadas. Este ano, na data prevista para a publicação da lista de materiais, aparece na página principal do website do colégio apenas uma nota: numa transcrição livre, “Clique aqui para comprar os livros deste ano”, citando também o nome da livraria, que eu não pretendo citar aqui. No site de comércio eletrônico, informar meu número de matrícula era suficiente para que o sistema soubesse em que série eu estava e de que materiais exatamente eu precisaria. A livraria sabia. Eu não.

Não havia informação alguma sobre editora, autor, edição, ISBN ou um mínimo de que alguém necessita para não adquirir o livro errado, especialmente no que diz respeito a livros de Geografia que têm sofrido atualizações quase anualmente. Eu ligo para o colégio.

- Por favor, eu gostaria de saber quando será publicada a lista de material.
- Ela já se encontra no site.
- O que está no site é apenas um link para efetuar a compra na livraria. Eu quero comprar meus livros em outro lugar e, para isso, preciso de uma lista de material de verdade, com informações sobre cada um dos ítens.

Alguns minutos ouvindo ruídos de conversa ao fundo…

- Por favor, verifique o site novamente mais tarde. Até as 18h devemos colocar lá uma lista de material.
- Obrigado, era só isso que eu queria saber.

Eu acho que esse episódio brevemente descrito com supressões eventuais de dados ou falas irrelevantes fala por si. Parece-me um fato muito discutido pelo corpo discente, ao qual se deu bastante importância, mas não o suficiente para que esse detalhe não passasse batido. Conhecendo o Brasil e os brasileiros, algo dentro de mim me diz que não foi acidental.

E viva a república das bananas.

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