E eis que eu finalmente cedo à pressão.
Eu nunca achei blogs - como conceito, não individualmente - extremamente interessantes. Eu só havia feito, até agora, tentativas de criar um com finalidades exclusivamente funcionais, envolvendo coisas técnicas sobre software e agregadores com conteúdos produtivos (ou nem tanto), e todas elas falharam. Eu juro que tentei, mas não tive paciência para me expor o bastante para que esses projetos de blogs se mantivessem atualizados.
Em alguns momentos, no entanto, eu olho para o mundo e me sinto impotente. Vejo absurdos, sinto vontade de gritar, de me fazer ouvir de alguma maneira e tentar incutir nas cabeças ocas de milhões de pessoas que algo está seriamente errado. Por exemplo, quando um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, sem imaginar quão absurdo é ordenar o bloqueio a um vídeo específico que há meses circula na Internet, atendendo a um apelo à decência por parte de alguém que fez sexo em água rasa em uma praia da Espanha (irônico, não?), ameaça a nossa liberdade com algo que lembra muito a censura já praticada no Brasil e ainda praticada em alguns países, alguns até bem próximos do nosso, embora a sua assessoria negue, e que eu, como cidadão da República Federativa do Brasil, um Estado de direito democrático, simplesmente não posso aceitar que retorne. Mas como? E é aí que entra este blog. Ele pode acabar sendo usado para passar o tempo e contar sobre acontecimentos estritamente pessoais, embora eu duvide que isso vá ocorrer em situações que não sejam de emoções muito fortes, tanto positivas quanto negativas, mas o propósito principal é fazer análises e exposições genéricas sobre muita coisa, desde as pequenas comunidades que eu integro, como meu colégio, até o meu país e até esse mundo problemático em que eu caí por acidente. Veremos se eu consigo ou se, como nas outras tentativas, fracassarei miseravelmente.
Pensei também em deixar aqui uma descrição, uma lista das coisas de que eu gosto, de forma que eventuais leitores pudessem saber o que esperar deste blog. Mas quer saber? Eu sou péssimo em autodescrições, acho autodescrições de pessoas boas nisso ridiculamente imprecisas e, no final das contas, quem vai ler isto aqui por enquanto, se houver alguma coisa para ler, são os meus amigos, as pessoas mais próximas a mim, que eu sinceramente espero que me conheçam. Para os demais (e que venham as massas!), deixarei eventuais textos aqui publicados falarem por mim. Afinal, um homem é o que ele escreve. Ou prega. Ou não. Não sei se eu já ouvi isso em algum lugar ou acabei de inventar.
Viu só como funciona? Dessa confusão na última linha, além do próprio subtítulo do blog, leitores desavisados podem desprender que eu sou indeciso. Mas não se enganem, é só para questões supérfluas - se eu dou valor a alguma coisa, eu me posiciono com uma firmeza irritante e nada consegue me fazer mudar. Sim, sou teimoso. Droga, já estou me descrevendo. Chega.