Frustrações


“Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn,
Ein sanfter Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrte still und hoch der Lorbeer steht,
Kennst du es wohl?
Dahin! dahin
Möcht ich mit dir, o mein Geliebter, ziehn.

“Kennst du das Haus? Auf Säulen ruht sein Dach,
Es glänzt der Saal, es schimmert das Gemach,
Und Marmorbilder stehn und sehn mich an:
Was hat man dir, du armes Kind, getan?
Kennst du es wohl?
Dahin! dahin
Möcht ich mit dir, o mein Beschützer, ziehn.

“Kennst du den Berg und seinen Wolkensteg?
Das Maultier sucht im Nebel seinen Weg;
In Höhlen wohnt der Drachen alte Brut,
Es stürzt der Fels und über ihn die Flut;
Kennst du ihn wohl?
Dahin! dahin
Geht unser Weg! o Vater, laß uns ziehn!”

– Johann Wolfgang von Goethe

Pior do que ter a sua confiança traída é descobrir que ela não forma um elo, não é recíproca. Não há sofrimento pior por que se possa passar neste mundo do que confiar em alguém mais do que este alguém confia em você. É óbvio que a asserção não se aplica a miudezas… mas experimente, só por um momento, imaginar o resultado de colocar-se nas mãos de uma pessoa, entregar-lhe a sua história, com direito aos detalhes mais sórdidos, maiores sofrimentos e, assim, involuntariamente, condicionar a essa pessoa a sua estabilidade e o seu bem-estar. Experimente, neste contexto, imaginar não poder ajudar o tal indivíduo em situações não mais que corriqueiras, simplesmente porque ele não demonstra confiança suficiente em você nem ao menos para aquilo.

A sensação vai muito além do que se pode conceber, e possivelmente além do que se pode suportar.

Finally, sono arrivate as long-awaited e merecidas férias. Desculpe por isso, mas há algumas idéias que são melhor transmitidas em uma língua específica (sorte sua que não tem nenhuma que fique particularmente bem em alemão nessa frase). Enfim, agora, com tempo livre quase de sobra, eu vou ter a chance de… NÃO! Não é isso que você está pensando. Eu lá tenho cara de spammer? Eu vou ter tempo para descansar um pouco e estudar duas apostilas de revisão que o colégio me deu que, juntas, somam 400 páginas de material, além de ler Sagarana e outras atividades escolares *cof* tão divertidas quanto *cof*.

O spam é outra coisa. Que culpa eu tenho se um fato irritante coincidiu com o primeiro dia da minha alforria de um mês? Achou que este post estava nas categorias “Bom humor”, “Frustrações” e “Revoltas aleatórias” ao mesmo tempo por engano?

Hoje, eu recebi a seguinte aberração por e-mail:

O XXXXX é o melhor programa de envio de emails do mercado, enviando até 500.000 emails por hora, para qualquer provedor de acesso, sem nenhum tipo de bloqueio, com velocidade e eficiência.

Os dados para a aquisição do XXXXX são os seguintes:

Banco : *******
Agência : *******
Conta : *******
Titular : Corbett Software Informática Ltda
CNPJ : 02.990.080/0001-03
Valor : R$ 99 - PACOTE GOLD EXTRA com PREÇO DE CUSTO

PACOTE GOLD EXTRA por somente R$ 99, contendo:

- XXXXX 7.6 TURBO, o mais completo programa de envio de emails do mercado
- UPGRADE GRATUITO para o novo XXXXX 8.0, no lançamento.
- Multi List completo, o melhor programa de captação de emails e de gerenciamento de emails.
- Autosend, programa para acelerar e enviar múltiplas listas de emails.
- Concat, programa para gerenciamento de listas de emails.
- 20 milhões de emails verdadeiros.
- 500.000 emails de empresas
- 1 milhão de servidores proxy SMTP para envio de emails.
- 2 anos de suporte gratuito.
- 2 anos de garantia.

Claro que eu removi informações sobre o produto para não ajudar a campanha publicitária da escória mas… WHAT THE HELL? Programa criminoso com suporte e garantia! É uma pessoa jurídica legalmente constituída, dando todas as informações possíveis para facilitar o pagamento por este nobre objeto de compra. Em muitos lugares do mundo, isso seria um atestado de insanidade, e tornaria obrigatória a assinatura prévia do próprio atestado de óbito, porque uma horda de usuários e administradores de sistemas em fúria caçaria os indivíduos até os confins do mundo e os linchariam até…

Aliás, os cidadãos de bem, vítimas dessa insuportável praga que corrói as telecomunicações virtuais por dentro, não precisariam se dar ao trabalho. A polícia teria todo o prazer de fazer o serviço sujo, que seria extremamente limpo, no lugar deles. Em muitos países, o e-mail que eu recebi hoje não é uma propaganda, é a confissão de um crime!

Mas por que, ó, por que, nada acontece? Dica: começa com “Re” e termina com “pública das bananas”.

P.S. Ai dessa corja de desocupados se um dos meus endereços de e-mail ou um dos servidores que eu administro estiver nas listas deles.

De uma maneira bastante simplista, o estopim da Revolução Francesa que marcou a derrocada do Antigo Regime na França de Luís XVI foi a tentativa de aumentar os tributos que uma população já sufocada tinha de pagar para sustentar um Estado que, no mínimo, administrava mal os seus gastos.

Muito sangue e cabeças depois, será que cabe um paralelo com o Brasil do século XXI? Para mim, já temos tudo. Só faltam os franceses…

Eu adorava o Galak. Não o chocolate ou o ovo de páscoa: o que vinha em potinhos, quase como Danoninho. Imagino que não tenha sido um grande sucesso de público, já que, ainda que ele estivesse no mercado desde que eu me entendo por gente, já faz mais de uma década que a Nestlé descontinuou a sua produção, pelo menos no Brasil.

Eu também adorava o Bliss de maracujá. Pelo visto, era só eu, afinal, mais uma vez, a Nestlé desistiu de distribui-lo pouco depois de eu me dar conta de que ele era a minha segunda bebida preferida, só atrás de água pura.

Sejam os analistas de marketing das grandes corporações de uma incompetência tão grande quanto o seu orçamento, ou tenha eu gostos incomuns ou simplesmente incompreendidos, isso acaba de acontecer de novo, e eu sei que, desta vez, vai fazer muito mais falta que o Galak ou o Bliss de maracujá.

Em um dos indescritivelmente raros momentos em que a escola me proporcionou incorporação de conhecimento útil depois das fórmulas de área de círculo e perímetro de circunferência, minha professora de Laboratório de Inglês mencionou, durante a apresentação do curso, que ela era fã de algumas séries de TV - entre elas, Justice, de Jerry Bruckheimer.

Pareceu-me interessante, então me informei a respeito dos horários e, em uma quarta-feira, às 21h, eu assisti, pela primeira vez, a um episódio da série. A escolha do dia não poderia ter sido uma coincidência mais feliz, porque a Warner acabara de começar a reprisar a primeira temporada, o que me deu a oportunidade de conhecer Ron Trott, Tom Nicholson, Alden Tuller, Luther Graves, Miranda Lee, Betsy Harrison, Dr. Matthew Shaw e todo o elenco de apoio em detalhes, com todas as características ortogonais que os tornam fascinantes e complementares, na rotina do escritório de advocacia criminal TNT&G desde o início. Mesmo sempre tendo detestado televisão, particularmente seriados, semana após semana, eu aprendi, me diverti e me emocionei, ou, para ser mais claro, me apaixonei perdidamente por essa obra-prima.

E então eu descobri que a FOX havia encerrado a atração na primeira temporada, e que sequer deixara o décimo terceiro e último episódio ir ao ar nos Estados Unidos. Foi, sim, uma grande decepção, mas já faz algum tempo, então você pode estar se perguntando porque eu estaria escrevendo sobre isso apenas agora.

Eu acabei de assistir ao décimo segundo episódio, “Christmas Party”. E ainda não pude determinar se eu chorei porque ele foi tão maravilhoso quanto a imaginação humana poderia conceber, ou pelo sentimento de perda, ou por uma mistura de ambos. Eu só sei que foi bom, muito bom, e que eu sentirei falta. E que eu não poderia deixar de prestar homenagem a algo pelo qual, ainda que por pouco tempo, eu nutri tanto carinho. Que este vídeo, que uma boa alma editou e publicou no YouTube, imortalize o melhor presente que a televisão já recebeu, enterrado pelo mau gosto dos espectadores norte-americanos.

“Não coisas novas, mas tratadas de modo novo” - é tudo assim. Nunca tive a intenção de que este blog fosse de auto-ajuda, mas a constatação de uma versão ligeiramente estendida do conceito de Kant, de que as coisas existem para si e não em si, me pareceu digna de compartilhamento.

Em meio a frustração e desespero, não espere que o mundo e as pessoas mudem para se encaixar no seu ideal: tente tratá-los de outra maneira, de forma a tornar a sua existência um pouco menos sofrível. Acredite, funciona, e é o único jeito.

Acho que Schopenhauer também teria algo a dizer a respeito…